quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sexo à distância

Mora de fundos para um quartel. Da janela da sala vê-se soldados pela manhã, jogando futebol, e ao longo do dia, uns e outros a circular.

Foi num fim de tarde, por volta das 17h, quando voltou de sua corrida diária pela orla. Chegou em casa com o suor escorrendo pelo corpo e, como de costume, tirou a roupa. Ficou apenas de calcinha e sutiã. Ligou o ventilador de teto. Ao som, Nouvelle Vague. Pegou um copo d'água, sentou-se no parapeito e acendeu seu cigarro, que já fica, providencialmente, ali, na janela, com um esqueiro preto. Seus esqueiros são sempre na cor preta.

Fumou dois, três cigarros. Levantou, pegou uma cerveja, sentou-se novamente, acendeu mais um cigarro.

Do lado de fora alguém a espiava, sem que ela percebesse. Passaram-se alguns minutos e ela teve a sensação de estar sendo mesmo observada. Deu-se conta dos seus trajes. Era uma calcinha lilaz e pequena. Acredita ficar sexy usando calcinhas pequenas em cores delicadas. O sutiã, de bojo, para dar volume aos seios, era preto, estampado com pequenos corações lilazes, para combinar com a calcinha.

Olhou para o lado de fora, por todos os lados, tentando achar alguém que a estivesse observando e, assim, confirmar sua sensação. Avistou um rapaz, escondido atrás de uma coluna de concreto, paralisado, que a olhava fixamente. Devorava-a com os olhos, como um canibal faminto.

Ficou sem graça, tímida que é, apagou o cigarro, vestiu um blusão, voltou à janela. O rapaz continuava exatamente no mesmo lugar, como se soubesse que ela voltaria. Levantou novamente, pegou outra cerveja, acendeu outro cigarro. Passou a agradar-se daquela situação. O calou aumentou. Tirou o blusão. O calor foi descendo pelo pescoço e escorrendo por entre as pernas. Estava cheia de tesão. Sentia vontade de atirar-se daquela janela, do alto do 3º andar, direto para os braços do soldado.

Tirou para fora o pênis duro, quente, pulsante, latejando cada vez mais forte. Fez gestos obscenos para ela, que se masturbava loucamente. Seu desejo era cair de boca naquele pau que lhe parecia tão apetitoso e depois rebolar em cima até gozar. Seus mamilos pediam a língua dele. Sua boca salivava, chamando pelos lábios dele. Sua boceta implorava pela língua quente lambendo-lhe os lábios.

Gozou. Levou a mão melada até boca e, de olhos fechados, delirava como se estivesse sentindo o gosto da sua boceta através da boca daquele homem.

Abriu os olhos e lá estava ele, entregue à volúpia daquele momento delicioso e único, com a mão melada da porra que acabara de jorrar.

Voltou a si e, envergonhada, fechou a cortina. Caiu embaixo do chuveiro de água gelada, vestiu-se e foi para o curso de francês.

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