terça-feira, 2 de novembro de 2010

Obsessão


Abriu a porta. Ainda era manhã. Fazia aquele calor insuportável do Rio de Janeiro, completamente oposto ao clima de Curitiba.

Estava de camisola. Olhou-a, analisando-a de cima a baixo. Fechou a porta, enconstou-a contra a parede, ali mesmo, na sala. Sacou para fora o pau duro e pulsante. Levantou a camisola, puxou a calcinha para o lado e enfiou tudo, de uma só vez. Marcela soltou um gemido agudo de dor e ele continuou, aumentando a intensidade das suas estocadas. Ela, imobilizada, o recebia, sentindo um misto de dor, prazer, amor e tristeza. O sangue escorria entre suas pernas. Sentia-se rasgada por aquele mastro firme, grosso, agressivo. Quanto mais ele percebia que a machucava, mais tesão sentia.

Fechou os olhos. Glorinha veio-lhe à mente e com a ex fazia exatamente como Glorinha gostava. Puxava forte seus cabelos, esbofeteava-lhe a cara e quanto mais ela gritava, mais fortes eram as bofetadas. Glorinha nunca gritava. Sempre pedia mais, e mais, e mais. Gostava de sentir-se violentada, gostava de agressividade e era assim que Alberto agia com Marcela, como se estivesse com Glorinha. Ela chorava de dor, urrava de prazer, desespero, amargura. Sabia que o ex-marido pensava na outra, mas não reagia.

As investidas do ex contra ela continuavam e ficavam cada vez mais fortes. Ela já não agüentava mais. Sentia ainda mais dor. Dor física. Dor emocional. Seus olhos vertiam lágrimas amargas cada vez que ele a chamava de Glorinha. Ainda assim, ela aceitava, completamente humilhada. Naquele momento os sentimentos se misturavam. Sentia amor. Sentia ódio. Ódio dele, ódio de Glorinha, ódio de si mesma, da sua fraqueza, do seu amor e mesmo com tanto ódio e toda aquela humilhação, ainda sentia tesão.

Sua boceta havia parado de sangrar. Agora estava encharcada. Parecia, de certa forma, que Marcela gostava daquela situação. Nem ela mesma conseguia entender o por quê, mas estava gostando. O pau de Alberto pulsava dentro dela, fazendo-a gozar algumas vezes. Pedia que ele a batesse, que sugasse forte seus mamilos, que a chamasse de puta, de vadia, de Glorinha.

- Sentiu minha falta, sua vadia?
- Me bate. Na cara
- Quer apanhar como antes? Então toma! E toma! E toma mais!
- Sentiu saudades da sua cadelinha, foi?
- Muita! Muita falta da minha Glorinha. Só minha. Não vou deixar você ser de mais ninguém, entendeu, sua piranha? Você é só minha.
- Sou. Só sua. Sempre fui só sua.

Nesse momento sentiu um aperto no coração, porque, de fato, havia sido somente dele, de mais ninguém.

- Eu te amo, Alberto!
Alberto, então, respondeu com outra bofetada: Toma! É disso que você gosta, que eu sei. É isso que você merece.
- Eu te amo!
- Ama? Agora você me ama? Virou a mulher de costas, colocou-lhe de quatro: Toma!
Enfiou o pau rijo lá atrás, como se a estivesse rasgando toda.
- Filho da puta!
- Doeu? Mas você gosta que eu sei. Toma mais! E toma!

Marcela voltou a chorar de dor.
- Ta doendo, cachorra? Então toma mais. Você gosta de tomar nesse cuzinho apertadinho. Ta reclamando por quê? Hein? Se reclamar vai apanhar.

E continuou a estocar. Enfiava tudo, sem dó, com raiva, com tesão. Estava cego de prazer. A todo momento, ali, acreditava ser Glorinha aquela pobre e humilhada mulher.

- Agora vou te colocar de joelho, aqui na minha frente – e o fez. Colocou Marcela ajoelhada na sua frente e... Toma! Chupa meu pau, sua vadia. Faça o que de melhor você faz. Chupa. Engole. Engasgou? Pois se continuar engasgando, vou enfiar ainda mais fundo.

E chupou, chupou, mas Alberto não estava satisfeito.
- Esqueceu como é que se chupa gostoso um pau? Eu que te ensinei, lembra? Você já foi melhor nisso. Você não paga boquete no seu marido? Pelo visto não. Ele não gosta, né? Tem cara de que fica só no papai e mamãe. Você merece coisa muito melhor. Duvido que ele te coma gostoso como eu. Deve ter um pauzinho mixuruca.

E Marcela chorava enquanto chupava Alberto e ouvia aquelas palavras que lhe soavam doloridas, mas não parou de chupar.

- Fala! Fala se ele te come gostoso como eu. Ah, que pena... é falta de educação falar enquanto se está de boca cheia. Adoro sua educação.

Marcela chupava e olhava fixamente nos olhos cegos de Alberto. Deixava-se usar por ele sem reclamar. Apenas chorava.

- Vem cá que eu vou gozar na sua cara e depois vou chupar sua boceta.
Gozou na cara de Marcela. Glorinha adorava quando ele gozava em sua cara.

- Agora é a sua vez. Deitou a mulher no chão frio, abriu-lhe as perna e caiu de boca. Mas percebeu algo diferente. O gosto. Jamais se esquecera do gosto de Glorinha e aquele não era o dela. Foi então que se deu conta do que estava fazendo e, de súbito, se afastou, transtornado.

Agora era ele que chorava. Não conseguia conter suas lágrimas. Levantou-se. Seguiu em direção ao banheiro. Lavou-se. Recompôs-se. Abandonou Marcela ali, na sala, caída, trêmula, sem sequer olhar na sua cara. Bateu a porta. Foi embora.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Sexo à distância

Mora de fundos para um quartel. Da janela da sala vê-se soldados pela manhã, jogando futebol, e ao longo do dia, uns e outros a circular.

Foi num fim de tarde, por volta das 17h, quando voltou de sua corrida diária pela orla. Chegou em casa com o suor escorrendo pelo corpo e, como de costume, tirou a roupa. Ficou apenas de calcinha e sutiã. Ligou o ventilador de teto. Ao som, Nouvelle Vague. Pegou um copo d'água, sentou-se no parapeito e acendeu seu cigarro, que já fica, providencialmente, ali, na janela, com um esqueiro preto. Seus esqueiros são sempre na cor preta.

Fumou dois, três cigarros. Levantou, pegou uma cerveja, sentou-se novamente, acendeu mais um cigarro.

Do lado de fora alguém a espiava, sem que ela percebesse. Passaram-se alguns minutos e ela teve a sensação de estar sendo mesmo observada. Deu-se conta dos seus trajes. Era uma calcinha lilaz e pequena. Acredita ficar sexy usando calcinhas pequenas em cores delicadas. O sutiã, de bojo, para dar volume aos seios, era preto, estampado com pequenos corações lilazes, para combinar com a calcinha.

Olhou para o lado de fora, por todos os lados, tentando achar alguém que a estivesse observando e, assim, confirmar sua sensação. Avistou um rapaz, escondido atrás de uma coluna de concreto, paralisado, que a olhava fixamente. Devorava-a com os olhos, como um canibal faminto.

Ficou sem graça, tímida que é, apagou o cigarro, vestiu um blusão, voltou à janela. O rapaz continuava exatamente no mesmo lugar, como se soubesse que ela voltaria. Levantou novamente, pegou outra cerveja, acendeu outro cigarro. Passou a agradar-se daquela situação. O calou aumentou. Tirou o blusão. O calor foi descendo pelo pescoço e escorrendo por entre as pernas. Estava cheia de tesão. Sentia vontade de atirar-se daquela janela, do alto do 3º andar, direto para os braços do soldado.

Tirou para fora o pênis duro, quente, pulsante, latejando cada vez mais forte. Fez gestos obscenos para ela, que se masturbava loucamente. Seu desejo era cair de boca naquele pau que lhe parecia tão apetitoso e depois rebolar em cima até gozar. Seus mamilos pediam a língua dele. Sua boca salivava, chamando pelos lábios dele. Sua boceta implorava pela língua quente lambendo-lhe os lábios.

Gozou. Levou a mão melada até boca e, de olhos fechados, delirava como se estivesse sentindo o gosto da sua boceta através da boca daquele homem.

Abriu os olhos e lá estava ele, entregue à volúpia daquele momento delicioso e único, com a mão melada da porra que acabara de jorrar.

Voltou a si e, envergonhada, fechou a cortina. Caiu embaixo do chuveiro de água gelada, vestiu-se e foi para o curso de francês.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Justine


É, eu andei sumida. Mas voltei. Voltei cheia de novas histórias e... apaixonada.
Viajei, conheci pessoas diferentes, vivi experiências, no mínimo, curiosas. Coisas que aconteceram que jamais imaginei que fossem viáveis e que estão deixando minha vida de ponta à cabeça.

Foi em Visconde de Mauá, Rio de Janeiro, que conheci Justine, uma francesa residente no Brasil há 6 anos. Nunca havia me relacionado com mulher, a não ser em orgias e casas de swing, para agradar um antigo parceiro.

No camping percebi uma moça de traços fortes e olhos azuis a me observar a todo instante. Fiquei constrangida com aquela mulher me olhando o tempo todo, sem parar. Mal piscava os olhos. Fiquei impaciente. Fui até ela, para saber se precisava de algo. Sinalizando com a cabeça ela respondeu que não. Saí, voltei à barraca, para trocar de roupa, e Justine continuava com o olhar fixo em mim.

Troquei de roupa. Fazia muito frio. Coloquei uma calça de moletom, um tênis, uma regata e um cachecol de lã para ir almoçar. Abri o zíper da barraca e lá estava ela, Justine, parada em frente, sem deixar espaço para que eu pudesse sair. Olhamo-nos por alguns segundos e, de súbito, ela entrou. Puxou meu cachecol e, sem que eu pudesse me movimentar, tirou minha blusa. Acariciou com suas mãos brancas, de palmas amarelas, meus seios, minha barriga, minhas costas e eu, assustada, não sabia exatamente o que fazer. Sabia no que aquilo daria, caso a deixasse ir adiante com suas investidas.
Ao mesmo tempo em que eu queria expulsá-la a gritos de dentro da minha barraca, estava gostando daquilo. Era a primeira vez que estava, de fato, com uma mulher nessa situação. Das outras vezes sempre tinha um homem. Era proposital, era fantasia, era selvagem. Dessa vez era diferente. Não havia nada de selvagem. Ocorreu tudo com naturalidade, sem que nada fosse planejado. Éramos apenas Justine e eu, sem platéia. Apenas nós duas, ao som das cachoeiras, dos cantos dos pássaros, no frio que se fez calor dentro daquela barraca apertada.

Aquela mulher de beleza hipnotizante, ruiva, olhos de topázio, lábios finos e vermelhos, como os meus, me olhava enternecida, me acariciava devagar, fazendo-me sentir prazer com cada toque suave das suas mãos. Não pude resistir e me entreguei aos encantos daquela francesa de ares misteriosos.

Tirou sua roupa e levou minhas mãos até os seus seios, redondos e pequenos, como os meus. Ficamos alguns minutos naquele momento de carícia e conhecimento. Exploramos cada parte do corpo uma da outra até estarmos completamente nuas e entregues à paixão. Fizemos amor, ali, naquela barraca apertada, e, ali, pude sentir algo que homem nenhum despertara em mim.

Por dois meses viajamos e vivemos a nossa história intensa que eu me atrevo a chamar de história de amor.
Justine está em Curitiba e eu, no Rio de Janeiro. Nosso reencontro, deixo por conta do acaso, o mesmo que fez com que nos encontrássemos em Mauá.