sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Por essa eu não esperava



A idéia era escrever mais um dos meus contos. Mas está cada vez mais difícil. Não é por falta de prática, porque sexo é algo que não me tem faltado, graças aos deuses. O problema é que, quando começo a escrever, viajo nas cenas, lembro-me dos detalhes, do beijo, da penetração, dos gemidos.


É tão excitante viajar nessa onda, dentro da minha solidão, que instintivamente vou ao armário, pego os meus brinquedinhos e ligo a TV no canal adulto. Fico horas rolando no chão, ouvindo aqueles gemidos forçados e me masturbando.


Gozo diversas vezes, até me sentir totalmente satisfeita, a ponto de os vibradores e o filme pornô perderam a graça. É claro que eu preferia um pau de verdade. Quente, vibrante, vermelho, duro, grosso e grande, na medida certa, de modo que não sobre um espaçozinho sequer dentro de mim. Infelizmente não posso ter isso a todo momento.


Apesar de o sexo estar presente em meu dia-a-dia, há certos momentos, normalmente nos momentos em que mais preciso, nas horas mais inusitadas, em que não posso ter um macho ao meu lado, satisfazendo os mais secretos dos meus desejos.


Então... então que mais uma vez eu parei para me masturbar e quando estava perto de gozar, toca o telefone. Um carinha que conheci há algumas semanas. Gente boa, inteligente, papo legal, beijo bom, companhia boa, mas tem um problema: é gordinho.


Quem lê meus contos, já deve ter percebido que eu gosto de homens altos e muito, muito magros. E se “todo canalha é magro”, como já disse Nelson Rodrigues, eu gosto mesmo é de canalha. Eles fazem deliciosos estragos na cama.


Este, o gordinho, não tem cara nem jeito de canalha. Mas confesso que me surpreendi com seu desempenho. Melhor que muitos magricelas que já tive.

Nenhum comentário: