terça-feira, 14 de julho de 2009

A história continua


A história deste casal já foi contada aqui, em outra ocasião. Casalzinho problemático, diga-se de passagem, mas falar deles é sempre uma delícia.

Dizem que “onde se ganha o pão, não se come da carne.”. Bobagem! Locais de trabalho são os ambientes mais propícios para as histórias divertidas de romances e casinhos dos mais sórdidos.

O caso em pauta, inicialmente, pareceu um romance, com direito a final feliz, mas depois mostrou-se mais uma história sórdida entre duas pessoas viciadas no prazer sem limites, que deixaram o desejo carnal vencer “a moral e os bons costumes”.

Há quem acredite que houve sentimento de amor entre os dois. Eu diria que houve paixão, dada a força com que eles se entregaram um ao outro e devido ao rumo que essa história curta e intensa tomou.

Tinha um gosto doce e ao mesmo tempo amargo. Era doentio, louco, mas era gostoso ver como eles se olhavam. Pareciam devorarem-se com os olhos, com os gestos, com as mais inocentes e simples palavras dirigidas.

Houve sofrimento, mas houve também muito, muito prazer, muito sexo, muita fome, muita sede.

As paredes da repartição têm muita história para contar desses dois, como a transa que aconteceu no banheiro, já relatada aqui. Porém, houve uma, em particular, que me faz molhar a calcinha.

Imagino cada cena, cada detalhe, as mãos, os corpos agonizantes de desejo, os gemidos, as bocas, as línguas, a pele, o suor escorrendo, transbordando de cada póro. É uma história que terei o prazer de compartilhar.

Aconteceu às vésperas das férias dele, perto do dia em que ela se mudaria para um Estado distante.

Rolou de uma turma da repartição ter de ir realizar um trabalho externo. A princípio ela não ia, mas o chefe dele a convidou e não tinha como ela recusar. Era uma visita a um local nada atraente: o aterro sanitário da cidade, também conhecido como lixão.

Eles estavam sem se falar há mais de um mês. Haviam brigado. O contato entre os dois era estritamente profissional, somente em casos de extrema necessidade.

O problema de se relacionar com colegas de trabalho é quando não se sabe separar as coisas. Fica um clima estranho e todo mundo percebe. Além disso, quando rolam as brigas, eles são obrigados a se esbarrarem pelos corredores e às vezes dividir o mesmo espaço. Mesmo assim, o durante é super divertido. Quando acham que estão disfarçando, todo mundo já percebeu, mas ninguém comenta nada se coisa for séria. Às vezes comentam, mas os comentários são mais discretos que os olhares do casal comentado. No final das contas, todo mundo se diverte. O casal, a turma de fofoqueiros de plantão e aqueles mais discretos que sabem, mas fingem não saber.

Nesse dia foi inevitável o contato. Eles foram no mesmo carro, no banco de trás. Na frente, o chefe e o motorista. Nos primeiros minutos, cada um olhava para um lado, de costas, um para o outro. O trajeto era longo. Ela não via a hora de descer daquele carro para tomar uma boa distância dele. Ele também parecia querer o mesmo, não fosse a sua mão “involuntária”, repentinamente tocando a mão dela.

Tomou um susto, mas gostou. As mãos passaram a se acariciar, mas ambos continuavam a olhar para lados opostos. Ela sentia o suor correr de dentro de sua vagina e ele percebia o pau crescer dentro do jeans apertado.

Ele se aproximou. Sua mão passou a percorrer por entre as pernas dela. Usava uma saia rodada, na altura do joelho. Entre uma respiração e outra, um pouco ofegante, sentiu os dedos tocarem sua vagina. Eles se olharam. Queriam se agarrarem ali, arrancar as roupas e seguirem o instinto, o desejo reprimido que aflorava a cada toque, a cada olhar, a cada movimento.

Continuava massageando a vagina, cada vez mais molhada. Tirava seus dedos de lá e os levava até a boca, para sentir o gosto fresco daquela mulher que, apesar de tudo, ainda era sua.

O carro parou. Num susto, tirou a mão de dentro dela. Recompuseram-se. Ninguém percebeu nada.

Desceram. Foram todos em direção ao restaurante, à beira da estrada. À mesa havia oito pessoas, contando com os dois.

Sentaram-se de frente um para o outro. Entreolhavam-se disfarçadamente e, por baixo da mesa, roçavam suas pernas.

Falava-se de trabalho. Ela foi a primeira a terminar de comer. Levantou e foi ao banheiro. Jogou água fria no rosto. Olhou no espelho. Ele estava logo atrás. Sem uma palavra, puxou-a pela cintura e deu-lhe um beijo ardente, molhado, desesperado, apaixonado. Os corpos febris pediam sexo. Prensou-a contra a porta. Abaixou-se, levantou a saia, puxou a calcinha para o lado e chupou. Sentiu seu gosto doce e a fez gozar em sua boca, como das outras vezes.

Engoliu. Saboreou cada gota daquele mel.

O pessoal estava terminando de almoçar e antes que alguém percebesse, ele saiu do banheiro e voltou à mesa. Antes, lavou a cara, mas o gosto dela continuou em sua boca. Ela foi dar uma volta no jardim, nos fundos do restaurante.

Passaram-se mais ou menos meia hora, quando todos para os carros e seguiram em direção ao aterro.

Os dois continuavam mudos, um do lado do outro, no banco traseiro, mas as mãos se acariciavam.

Ela queria poder abraçá-lo, sentir seu cheiro. Ele só pensava no cheiro dela, no gosto da sua boceta, na delícia dos seus beijos.

A viagem parecia mais longa do que realmente era. Eles estavam angustiados dentro daquele carro. Ela parecia estar sem ar e ele transpirava.

O chefe e o motorista conversavam sem parar e mal podiam imaginar o que estava se passando no banco de trás.

Finalmente chegaram. O lugar fedia muito. Não tinha como ser diferente – estamos falando de um lixão.

Todos colocaram máscaras e seguiram caminhando, a fim de verificar as irregularidades do local.

Ela ia andando na frente com os outros e ele atrás a observá-la, devorando-a com os olhos.

Quando todos entraram no galpão de reciclagem ele a puxou pelo braço e seguiu até um lugar pouco distante dali, cheio de árvores e um rio poluído.

Ali, naquele ambiente fétido, ele a encostou numa árvore, arriou as calças, colocou o cacete para fora. Estava duro, pulsante, apetitoso. Levantou a saia. Rasgou sua calcinha. Enfiou forte. Ela gemeu. Quanta saudade sentira daquele pau socado em sua boceta.

Eles se beijavam, lambiam-se, cheiravam-se. Tamanho era o desejo, o tesão, a satisfação. A cada estocada, um gemido alto e agudo. A cada gemido alto e agudo uma estocada ainda mais forte. As mãos percorriam os corpos. Os beijos eram ardentes. Os póros dilatavam-se. Os suores se misturavam. Os corpos se esfregavam. O cheiro dele a enlouquecia. O perfume dela o deixava irracional. A razão deu lugar ao instinto, à loucura. Ele metia com vontade. O pau deslizava, escorregava, latejava. Os corpos estavam ali, encaixados, formando um só corpo. Era inexplicável o tamanho do prazer que um proporcionava ao outro. Inexplicável como dois corpos se comunicavam e se entendiam tão bem.

Juntos, gozaram pela última vez. Pelo menos era para ser a última vez. Mas não foi. A história continua e eu me arrepio toda só de pensar no que aconteceu depois. Mas isso eu conto em outra oportunidade.