domingo, 10 de maio de 2009

Solidão


Era domingo. Uma típica manhã de inverno. Chovia muito. Era impossível sair de casa. Continuou deitada, nua, como costuma dormir, encolhida sob os edredons, sentindo seu cheiro nos travesseiros e segurando o xixi, com preguiça de levantar e sair daquele quentinho gostoso.

Passados alguns minutos, a bexiga doía, precisava expelir o líquido forçadamente retido. Levantou-se, enrolada no edredom, caminhou em direção ao banheiro, sentou-se na privada. Ufa! Que alívio sentira naquele momento. Que sensação inexplicavelmente deliciosa, a de mijar quando se está apertada. É orgásmico. Melhor que isso, só uma gozadinha depois de umazinha matinal, quando se é acordada com uma lambidinha na boceta, ou por um pau duro te cutucando por trás, cheio de amor pra dar. Não há mulher que resista.

Mijou. Lavou a boceta no chuveirinho. Quase gozou.

Foi até a sala. Deitou-se no sofá, ainda despida e enrolada nas cobertas. Ligou a TV. Ficou zapeando, à procura de um bom filme ou algo que lhe prendesse a atenção. Não achou nada. Até o canal adulto estava sem graça.

Já passava das 10h. Colocou num canal de música. Ficou alguns minutos, ali, deitada, pensando na vida. Lembrou-se de momentos inesquecíveis, com homens igualmente inesquecíveis. Lembrou-se de cada detalhe: toques, beijos, carícias, mãos, respirações, sussurros, penetrações. Comparou desenvolturas, tamanho de pau, qual era o mais gostoso, quem pagava o melhor boquete, qual deles a deixou com mais tesão. A essa altura, a boceta estava molhada, exalando aquele cheiro doce e mareado que eles adoram.

A carne pulsava, seus mamilos arrepiados pediam línguas e mordidas sutis. Sua boca úmida e vermelha salivava pelos cantos, à procura de beijos ardentes, de um pau circuncisado para lamber, abocanhar até a garganta e chupar levemente a cabecinha.

Na rádio da TV tocava Whitesnake. Ao som de Is This Love, masturbou-se. De olhos fechados lambeu-se, tocou-se, massageou-se, imaginando, ali, a presença de um homem a observá-la.

No chão, um pequeno vibrador. Ligou e levou aos mamilos eriçados, descendo por entre as pernas, até o clitóris. De bruços, agora ao som de Roxete - It Must Have Been Love, ela pressiona o instrumento contra o sexo, na entrada da cavidade, proporcionando uma sensação que descreve como doce, leve, como um carinho nas costas com a ponta dos dedos.

Contorcia-se, nervosa, entre as almofadas. Sussurrava putarias como se ali houvesse um ouvido a escutá-la. Mordia os lábios, como se alguém os estivesse mordendo. Rebolava em cima do pau de borracha. Agonizava de desejo, clamando por um macho a lhe penetrar todos os buracos, respirando ofegante sobre seu corpo febril.

Fechou os olhos e imaginou-se transando consigo mesma. Imaginou-se mamando os próprios seios, pequenos, empinados, nacarados, apetitosos. Sempre sentiu tesão pelos seios. Às vezes pára em frente ao espelho e os admira. Durante o banho, costuma acariciá-los. Muitas vezes sente vontade de chupá-los, mas nem a ponta da sua língua os alcança. Pensou em como seria esta mesma língua acariciando-lhe a boceta, sentindo o gosto do nectar escorrendo diretamente da fonte. Gosto que sente ao levar os dedos melados após penetrá-los na vagina. Viaja no próprio corpo pesando em si mesma. Excita-se ainda mais imaginando os próprios beijos. Esfrega-se no chão frio. Seu corpo transpira. Goza nas mãos e a leva até os lábios para desfrutar seu sabor.

Está passando Al Green - How can you mend a broken heart. Ela pensa nele. Continua a masturbar-se, chamando por ele. Lembra-se das suas investidas, da sua força, da sua voz, sua respiração. Esfrega os dedos incansáveis na boceta e enfia o vibrador de 22cm no cu, como ele fazia, quando a comia por trás. Xinga, uiva, treme, esfrega-se selvagemente no chão. Fricciona a boceta nas almofadas e, sobre elas, cavalga, rebola, como fazia com ele nas tardes frias de sábado, quando ele fugia de casa comê-la às escondidas. Geme alto, loucamente, cega de desejo, sem medo de que os vizinhos a ouçam. Grita. Grita. Grita. Goza.

Trêmula, mole e satisfeita, volta ao sofá e, com um leve sorriso no rosto, dorme.

Um comentário:

zegertrudes disse...

A Deusa da solidão.