domingo, 15 de fevereiro de 2009

Rosas vermelhas


Como de praxe, saiu de casa, pela manhã, para ir trabalhar. Vestia uma calça jeans surrada e uma camiseta pólo branca. Calçava um par de sapatilhas vermelhas e sua bolsa grande era de pano cinza. Entrou no ônibus. Em cinco minutos já estava no trabalho.

Até então ocorrera tudo como de costume: adentrou à sala, deixou a bolsa e os óculos sobre a mesa, pegou o copo de acrílico vermelho, foi até a copa, encheu-o d'água. Voltou à sala. Já tinha serviço. Começou a trabalhar.

Minutos mais tarde a porta se abre. Um senhor com um lindo bouquet de rosas vermelhas caminha em sua direção. As rosas eram para ela. Tomou um susto, sua face enrubesceu. O coração acelerou. Havia um bilhete. Estava assinado por ele.

O telefone tocou. Do outro lado da linha, ele a perguntava se havia gostado da surpresa. Claro que sim – respondeu, entusiasmada. Então ele se pôs a dizer lindas declarações. Ela sorria, maravilhada com aquilo tudo. Era a primeira vez que ouvia aquelas sentimentalidades. Durante todo o dia, irradiou felicidade. A alegria era tão grande a ponto de contagiar os colegas no trabalho e até os estranhos que passavam por ela na rua.

Final de expediente. Pegou o bouquet com cuidado e, sorrindo, foi embora. Chegou à casa. Para sua surpresa, lá estava ele a lhe esperar. Olharam-se, sorriram, abraçaram-se e ele, docemente, a beijou. Subiram abraçados e, até a porta do apartamento, ele foi beijando e mordiscando, carinhosamente, seus ombros e pescoço.

Entraram. Foram caminhando em direção ao quarto bagunçado. Em cima da cama, roupas, toalha, cremes, perfumes, maquiagens, cobertas e travesseiros. Jogou tudo no chão e ali se deitou com ela. Olhava, enternecido, os traços delicados do seu rosto, a vivacidade do seu olhar, a umidade dos seus lábios nacarados e bem desenhados. Seus olhos não cansavam de admirá-la. Ela não podia evitar o contentamento de ter aquele homem ao seu lado, observando-a, afetuosamente, sem parar. Ele acariciava os negros cabelos lisos da moça, com uma mão e, com a outra, alisava seu corpo esguio, de poucas curvas, macio feito plumas e suave como a mais pura seda. Em seu ouvido, sussurrava as mais belas palavras de amor. Jamais alguém lhe dissera coisas tão lindas como as que ele dizia. Bem devagar, com uma doce leveza, ele dava beijinhos em cada centímetro da sua face aveludada, mordiscava, a boca pequena e às vezes dava leves chupadinhas nos lábios, deixando-a completamente despida de seus sentidos. Ficaram horas ali, desfrutando daquele momento de afeto. Acabaram dormindo.

Já passava das 22h quando, primeiro que ela, ele acordou. Preparou uma taça de vinho e despetalou as rosas do bouquet que a presenteara. Com cuidado, para que ela não acordasse, tirou suas roupas, deixando-a completamente nua, e a cobriu com as pétalas vermelhas. Sentou-se ao lado dela e tomou um gole do vinho. Ao contemplá-la, dormindo feito uma criança, percebeu um leve sorriso em seu rosto desacordado. Decerto está sonhando – pensou. Ficou imaginando que tipo de sonho seria e com quem estaria sonhando. Provavelmente era um sonho bom, visto a satisfação revelada pelo riso.

Olhando atentamente cada detalhe do seu corpo, notou um fluxo cintilar entre suas pernas. Levou as mãos até o sexo e sentiu a umidade escorrendo da carne. Sentiu sede. Abriu devagar as pernas brancas, levou a boca até a fenda secreta, bebeu do líquido. O sonho misturava-se com a realidade. O sorriso se abriu ainda mais, evidenciando sua enorme exultação. A buceta estava suculenta e ele, sedento pela substância que emanava dali, sugava com avidez. Quanto mais sorvia, mais o líquido fluía. Ela, ainda dormindo, contorcia seu corpo, como demonstração inconsciente do arroubo que sentia naquela ocasião. Ele continuava a fazer-lhe carícias com a língua, buscando achar o pequeno botão escondido entre os lábios de carnes suculentas. Ao encontrá-lo, massageou, chupou, sugou, como que querendo arrancá-lo. Ela estava completamente molhada, tamanho era o prazer. A xana ficara vermelha e encharcada com o doce fluido cintilado que ela liberou ao gozar. Sim, gozou dormindo.

Embora estivesse feliz com o que acabara de proporcionar à sua amada, ele não estava completamente satisfeito. O membro estava duro e faminto pela parte apetitosa que acabara de saborear com a língua. Sua vontade era preenchê-la. O pênis estava inflamado, faminto, latejava sem parar. Ele não queria acordá-la, tão linda estava, esticada na cama, coberta de pétalas, regozijante. Parecia uma obra de arte intocável, contudo o desejo foi maior. A necessidade de perfurar a pequena gruta foi mais forte. Foi dominado pelos instintos e deleitou-se o quanto pôde até saciar-se por completo.

Agiu com delicadeza, para que ela não despertasse. A idéia de fazer amor com uma mulher adormecida aumentava ainda mais a sua fome. Começou beijando os pés, subindo pelas pernas, até chegar ao centro. Enterrou a cara no sexo e cheirou como um cachorro faminto, em busca da sua cadela no cio. Continuou subindo. Barriga, umbigo, seios. Enfiou-se entre os pequenos montes. Imediatamente os mamilos enrijaram-se e ele os acariciou com deliciosas lambidinhas. Mordia-os como se os tentasse arrancar. Ela adorava quando ele fazia isso. Mesmo dormindo, era visível o seu contentamento. Em seguida, derramou um pouco de vinho e, com sede, mamou. As sucções eram leves, gostosas. Fartou-se das pequenas tetas redondas, empinadas, de biquinhos rosados e arrepiados. Era a parte do corpo dela que ele mais gostava.
A volúpia crescia, o pau estava cada vez mais robusto. Ele sofria com a intensidade do seu desejo. Seu suor descia pelo corpo flamejante.
Continuou a desbravar as curvas escassas com a boca, com as mãos, com o próprio corpo. Ela ainda dormia, mas a euforia estampava seu rosto que revelava o quão satisfeita ela estava. Seu corpo estático tinha vestígios de prazer. Ela ardia em chamas. Ele podia sentir isso em suas próprias mãos, ao apalpa-la entre as pernas. Ela estava em êxtase, e ele cada vez mais abrasado, ansioso para enfiar-se dentro da única mulher capaz de saciar sua fome e seus desejos mais secretos.

Angustiado, em alvoroço e com os nervos aflorados, não agüentou. Abriu devagar as pernas da sua amante e perfurou-a. Movimentou-se com destreza por alguns minutos. Ao perceber que ia gozar, parou, mas continuou dentro dela. Voltou a se mexer. Em frenesi, retirou-se e jorrou o sêmem sobre o corpo nu e imóvel. Agora sim, ele estava completamente realizado.

Terminou de tomar o vinho. Vestiu-se. Molhou uma toalha e limpou o corpo da mulher que continuava a dormir como um anjo. As pétalas que a cobriam, espalharam-se pelo quarto. Em silêncio, ele as juntou, cobriu-a novamente e foi embora.

Acordou no dia seguinte. Achou que havia sonhado. Abriu um sorriso ao ver as pétalas sobre seu corpo. Virou-se para pegar o celular. No criado mudo, um botão de rosa vermelha, acompanhado de um bilhete. Maravilhou-se. O sonho foi real – pensou. Abriu o bilhete. Nele havia apenas uma frase: “eu te amo”. Não estava assinado.

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