terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Um dia qualquer

Aconteceu num dia desses. Era uma tarde de chuva e calor. Ela, como sempre, em casa, cercada pela sua companheira fiel, a solidão, e pela tormenta de ter aquele homem presente em seus pensamentos. Na tentativa de esquecê-lo por um momento, decidiu sair.

Em seu caminho sem destino, ela andava. Chorava a todo instante. Suas lágrimas misturavam-se com os violentos pingos que caíam sobre seu rosto. Seu vestido encharcado podia revelar as pequenas curvas do corpo esguio.

Seguindo em frente, tropeçou nos próprios pés e caiu numa pequena poça d'água. Não teve forças para levantar. Ficou ali, deitada por alguns instantes. Passaram um, dois, três carros e ela continuava ali, despercebida, insignificante. Outro carro passou. Nele havia 3 pessoas: dois homens e uma mulher, a qual avistou a outra estirada na poça. O carro encostou. Ela saiu, chegou perto, parou, contemplou o corpo delgado caído no chão. Ajudou a moça a se levantar e levou-a até o carro velho, pintura desgastada e um pequeno amassado na parte traseira. Os dois homens estavam na frente. Ambos, entre goles alcóolicos e alguns tragos, faziam carícias íntimas um no outro. No banco de trás, a mulher olhava fixamente a pobre moça chorar. Apesar da tentativa de esquecê-lo, ele ainda estava vivo nos seus pensamentos. Ele arrebatou o coração da moça desde a primeira vez que cruzaram os olhares. Viveram uma paixão fulminante. História que acabou faz tempo, mas que vem destruindo a pobrezinha aos poucos.

Mesmo ali, diante de desconhecidos, de uma mulher que a devorava com os olhos, ela continuava a pensar no infeliz, sem prestar atenção no que estava acontecendo diante dos seus olhos distraídos. A mulher sentada ao seu lado observava cada detalhe: os olhos redondos, mergulhados em lágrimas, o cabelo desgrenhado, os lábios rosados, finos, delicados. O vestido molhado, grugado no corpo, revelava os seios pequenos, empinados, com mamilos róseos e arrepiados. A mulher contemplava todas as minúcias daquele busto, cada particularidade das pequenas curvas semi-reveladas. A outra não reagia, apenas derramava seus prantos por aquele alguém.

Na frente, os dois, incansáveis, famintos, acariciavam-se e beijavam-se com voracidade. O desejo era imenso, intenso, violento. Em meio aos toques libidinosos, o passageiro, sem conseguir segurar a vontade de abocanhar o mastro do motorista, abriu-lhe a calça e pôs o instrumento rijo para fora. Levou a mão à boca para umedecê-la com saliva. Em seguida levou-a até o pênis do outro e pôs-se a massageá-lo, dando leves apertos, desde a cabeça vermelha até os testículos. Lentamente, foi se abaixando até a boca atingir o objeto fálico. Devagar, começou a beijá-lo. Beijou ardentemente cada centímetro, mordiscou, sugou a ponta sensível e lambeu tudo, até, finalmente, deslizá-lo dentro da sua boca, até a garganta. Tamanha era a sua satisfação em chupar aquele membro que latejava de prazer. As sucções, inicialmente sutis, passaram a ser mais intensas, a ponto de deixar o homem exaltado, levando-o a quase perder o controle do carro. Ele tentava se segurar, mas era em vão. Seu prazer era incontrolável, seus gemidos, involuntários e o gozo, inevitável. Jorrou o líquido espesso ne boca do passageiro, que engoliu com sede insaciável. Guiou o carro até o acostamento e parou. A chuva havia cessado e a noite começava a dar os seus sinais. Os dois entreolharam-se e beijaram-se com avidez.

Enquanto eles se descobriam, as duas, no banco de trás, não haviam ainda trocado palavras. A moça, ainda molhada da chuva, continuava aos prantos, enquanto a outra a observava atentamente, tentando decifrar as partes daquele corpo delicado por trás do vestido úmido. Quanto mais olhava, maior era a vontade de tocá-la. Aos poucos foi se aproximando, chegando cada vez mais perto, até encostar sua perna na dela. Ela não reagiu, mas, no mesmo instante, assustada, parou de chorar. A outra, cada vez mais excitada, foi pressionando e esfregando lentamente seu corpo no dela. À medida que ia aumentando a força com que ia se esfregando, a euforia crescia. Aos poucos a moça deixou-se levar pela agitação e passou a corresponder aos movimentos lascivos, deixando transparecer a sensualidade que lhe era particular e só seu homem conhecera. A mulher levou suas mãos por entre as pernas da outra, acariciando-a até chegar à fenda secreta, onde sentia a umidade quente da carne escorrer entre os dedos. A moça deixou-se tocar, e seu prazer acentuava-se no mesmo ritmo em que os dedos iam chegando mais fundo à sua cavidade. Sua parede macia era delicadamente massageada com uma mão, enquanto a outra mão buscava o botão escondido em sua intimidade. Ao encontrá-lo, a mão, com o dedo médio pressionava-o com afabilidade, ao passo que o anelar descia e encontrava-se com os outros, lá dentro, de onde corria o fluido denso, fruto do deleite. Timidamente, as duas se entreolharam e se entregaram a um beijo quente e molhado. As línguas se enroscavam uma na outra e acariciavam-se em movimentos agitados.

A ponto de explodir seus prazeres, a outra abaixou o vestido da moça. Repousou seu rosto entre os seios redondos, cheirou-os. Sentiu o perfume doce do suor que escorria entre os pequenos montes. Pausadamente, levou a língua até os mamilos. Mamou, sugou com força e, indomável, se atirou em cima da moça. Beijou milimetricamente seu corpo. Nuas, elas se beijavam, roçavam seus corpos e misturavam os sexos. Atingiram o clímax quando se chuparam. As línguas febris buscavam o ponto secreto. As bocas embriagadas sugaram o suco que saía de dentro das cavidades. Os gemidos eram baixos e agudos. Isso as deixava ainda mais enlouquecidas. Uma chupava a outra com sede, a fim de fazer jorrar o líquido consistente. Juntas, chegaram às alturas. Em frações de segundos elas viajaram, cada uma, no seu infinito particular. Por fim, selaram um último beijo e a moça pôde, naquele momento, livrar-se do sofrimento causado pelo homem que jamais poderá a ela ensejar tórridos momentos de volúpia como o que ela pôde desfrutar ao lado da outra mulher.

Quanto aos dois homens, estes descobriram o gosto íntimo que em tempo algum nenhuma mulher será capaz de oferecer a um homem.

domingo, 11 de janeiro de 2009

O sonho


Era um dia qualquer. Destes em que a gente fica em casa sem ter o que fazer. Fazia um calor insuportável. Lá estava ela, em casa, com seu short jeans e a parte de cima de um biquíni velho. Sua única companhia era o computador. Resolveu então procurar o que fazer. Pensou em escrever algo, mas estava sem idéia do que colocar no papel. Pegou um livro, dois, mas não conseguiu se concentrar. Era somente nele que ela pensava. Ligou a televisão, o som, mas o filme e a música reforçavam ainda mais os bons momentos que passara com ele. Chorou. As lágrimas que corriam em sua face eram lágrimas de saudade, desespero, paixão, inconformismo. Então, para espantar a lembrança que só trazia dor ao seu coração, colocou uma música alegre e resolveu colocar as coisas da casa em ordem.

Primeiro as louças, depois o quarto e, já com o corpo a transpirar, foi arrumar a sala. No mesmo instante, alguém bateu à porta. Ela abriu. Era ele. Os dois se olharam por alguns segundos e, sem dizer uma só palavra, ele agarrou o corpo suado da mulher, arrancou o biquíni surrado e mamou nos seios empinados, mordiscando levemente os mamilos duros e rosados. Selou em seus lábios um beijo quente, apaixonado.

Sem poder reagir, ela deixou que ele a guiasse até o quarto. Ele prensou-a contra a parede e, mais uma vez, deu-lhe um beijo molhado, apertando seus lábios contra o dela, enfiando toda a língua, até alcançar a garganta.

Eles se olhavam famintos, pois há meses não ficavam juntos, nem houveram tido relações sexuais com mais ninguém.

Abaixou as calças, pôs para fora o membro rijo, latejante, sedento pelas cavidades daquela mulher. Com força e uma certa raiva nos gestos e no olhar, ele a segurou pelos cabelos e abaixou-a, de modo que ela pudesse alcançar com a boca aquele mastro de que tanto gostava. Ele empurrou até o talo dentro da boca vermelha e úmida. Ela mamava como uma cabritinha esfomeada. Sugava com vigor enquanto era esbofeteada na cara e ouvia os mais vulgares dos palavrões. Quanto mais apanhava, maior era a vontade de chupar, maior era o tesão. Quanto mais ele a xingava, mais ela sugava, em busca do leite acumulado. Chupou até fazer o homem jorrar seus jatos.

Com o pênis fervendo e ávido pela fenda secreta que ele conhecia tão bem, violento, pegou-a pelo braço e a jogou de costas no chão. Arrancou o short e rasgou a minúscula calcinha preta. A idéia inicial era aconchegar-se na gruta escorregadia. Porém, ao ver o pequeno buraco rosado e apertado, decidiu começar por ali. Comeu o brioco até fartar-se e fazê-la gozar. Ela gemia alto, pedia que enfiasse mais, e mais, e mais...

Com o desejo cada vez mais aflorado, ele a colocou de quatro, apoiada na cama e, montado em cima dela, deliciou-se da carne macia, roxa e suculenta.

Não satisfeito, ele sentou-se sobre a cama e obrigou-a a cavalgar, sentada sobre seu membro. Ela cavalgava, rebolava, dava bofetadas na cara do seu macho. Ele a olhava nos olhos, berrava “cachorra, vagabunda, vaca, vadia”, dava leves tapas em suas nádegas macias, lisas como a seda. Ela enlouquecia e seus rebolados ficavam cada vez mais intensos. Os dois se deleitavam naquele momento de volúpia, sacanagem e muita putaria.

Cada grito, cada gemido, cada sussurro acentuava o desejo, a libertinagem, a sensualidade daqueles corpos encaixados tão perfeitos como as peças de um quebra-cabeças.

A fêmea tremia, e seu corpo sofria as delícias de ser devorava com ímpeto pelo seu predador voraz. Ele grunhia feito um porco selvagem e ela soltava uivos agudos, tal qual uma loba faminta.
Finalmente, juntos, chegaram ao topo. Saciaram-se, deitaram-se naquela cama que tantas vezes foi palco de luxúria, baixaria e pornografia entre os dois sacanas apaixonados e sedentos um pelo outro.

A respiração ofegava, os corpos pediam mais.

Levantou-se apressado. Caminhou em direção ao banheiro, tomou uma ducha rápida, vestiu-se, foi embora.

Ela dormiu e, ao acordar, notou que havia sonhado. Contudo, ao tocar sua parte íntima, percebeu o quanto estava úmida, inchada e dolorida. A cama estava molhada, seus poros transbordavam. Seu corpo estava trêmulo. Embora tudo não passasse de um sonho, ela realmente havia chegado ao pináculo.

Levantou-se, olhou ao seu redor. A louça continuava suja, os cômodos da casa, bagunçados. Ligou o som, colocou uma música alegre e então decidiu colocar as coisas da casa em ordem.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O estranho

Todas as noites sonha sonhos ardentes que levam sua alma a desbravar prazeres desconhecidos. Deliciosas sensações que somente o desconhecido, presente nos sonhos, é capaz de fazê-la experimentar.

A cada noite, um deleite. A cada amanhecer, percebe a umidade secreta daquele lugar soturno que o estranho conhece melhor que qualquer um que já tivera a oportunidade de sentir. Porém, a cada abrir dos olhos, ao notar a inexistência do seu homem, um vazio toma conta do peito, que é involuntariamente invadido pela saudade e pela tristeza de não estar ao lado daquele por quem procurou a vida inteira.

Então, para amenizar tamanha dor, ela tenta dormir novamente, a fim de reencontrá-lo, mas o sono não vem.

Levanta, cobre o corpo nu com suas vestes e sai à procura de pílulas para dormir. Todos os lugares por onde passa, a rua, os carros, as pessoas, tudo traz a imagem embassada do homem à tona.

Ela pára. Olha para todos os lados, como que tentando encontrá-lo em meio à muitidão. Olha para um, para outro e mais outro, mas não o vê. Desespera-se. A falta dele inunda sua alma de angústia. Ela chora e, com o rosto coberto pelas lágrimas, segue, desnorteada, em busca das pílulas. Finalmente as encontra.

Já em casa e despida, toma uma, duas, três pílulas. O sono vem. As almas tornam a se encontrar. Olham-se nos olhos e ela se sente devorada pelo homem dos seus sonhos.

Enquanto dorme e sonha, inconscientemente, toca levemente a gruta úmida entre suas pernas, como se ele a estivesse tocando. Belisca os seios como se ele o fizesse. Sente as próprias mãos tocar seu corpo como se fossem as mãos grandes e ásperas do homem a lhe tocar.

Alcança, mais uma vez, o prazer. Chega ao píncaro, como se ali o homem estivesse presente em carne e osso. Com os dedos a penetrar sua intimidade, como se fosse o membro do desconhecido, ela goza e, trêmula, acorda.

Mais uma vez é invadida pela decepção e pela saudade. Novamente ela toma as pílulas e, outra vez, volta a sentir o prazer proporcionado por aquele anjo desconhecido, cujo rosto seus sonhos jamais a revelou.