sexta-feira, 23 de maio de 2008

Paixão, Tesão e Solidão

Teve um sonho esta noite. Sonhava que estava dormindo, quando ele, sorrateiramente, embaixo do edredom, abaixa sua calcinha e chupa-lhe a buceta com uma sede interminável e uma saudade que, até então, vinha matando-o por dentro e consumindo todos os seus pensamentos. Percorreu cada centímetro do corpo dela, com a língua, enquanto dormia e, em seguida, acordou-a com um beijo na boca, ardente e apaixonado. Então, cheia de tesão, ela corresponde ao beijo. Sutilmente ele a penetra e, com movimentos deliciosamente leves, eles fazem amor.

Ela acorda do sonho. Acorda com vontade e muita saudade daquele homem que há meses vem lhe tirando o sono. Levanta, tira a roupa, caminha até o banheiro, liga o chuveiro e, embaixo da água quente, masturba-se. De olhos fechados, pensa nele. Imagina os dois, ali, embaixo daquele chuveiro, fazendo amor como nunca haviam feito antes. Pensava nele com paixão e muito tesão.

Com as mãos em suas partes íntimas, ela o imagina chupando-a com a mesma sede em que a chupava no sonho. Neste momento ela goza nas próprias mãos e leva seus dedos molhados, com o suor que escorrera de sua vagina, até sua boca e suga aquele fluido dos seus dedos como se estivesse chupando um pênis que acabara de sair de dentro dela.

Mais uma vez, de olhos fechados, ela acaricia a si mesma. Começa pelos seios, os quais imagina sendo sugados por ele, enquanto uma menina chupa sua genitália limpinha e fresquinha. Desceu suas mãos pelo corpo, passando pela barriga, umbigo... sentia com suas mãos cada parte do próprio corpo que acariciava. Com seus braços, abraçava-se a si mesma, como se ele a estivesse abraçando. Com os dedos, acariciava as partes íntimas, começando pelo clitóris e descendo até a vagina, até que, em um dado momento, dois dos seus dedos penetravam-na delicadamente, como se ela estivesse sendo penetrada por ele e, ali, mais uma vez, sob fumaça da mesma água quente, ela goza e treme de prazer, dos pés à cabeça.

Sai do banho, veste-se, vai trabalhar, volta à realidade. Já no final da tarde, após chegar do trabalho, começa a lembrar-se do banho. Algumas horas depois, alguém bate na porta de seu apartamento. Ela abre. É ele. Ele a abraça e a beija fervorosamente, fazendo carícias em seu corpo e, ali, vai despindo-a e levando-a até o sofá. Os dois fazem amor. Porém, durante o ato, enquanto se abraçavam e se beijavam, ela não sentia nada. Absolutamente nada. Pela primeira vez teve a sensação de que já não sentia mais nada por ele. A paixão de outrora parecia não ser mais a mesma. É como se tivesse evaporado tão rapidamente quanto os pingos de chuva que evaporam de um chão esquentado pelo sol.

O tesão já não a enlouquecia como antes. Mas, mesmo assim, inexplicavelmente, ela o queria ali por perto e quase implorou para que não fosse embora tão rápido. Quando ele saiu, um vazio enorme tomou conta daquela mulher, que começou a chorar desesperadamente. Ligou a TV. Estava passando a novela. Mas ela só chorava. O tempo inteiro, impregnada com o cheiro que ele deixara em seu corpo, ela chorava.

De tanto chorar e tentar explicar a si mesma o por quê de tal vazio e desespero, percebeu algo que já vinha passando pelos seus pensamentos há algumas semanas.Tudo não passa de uma grande carência afetiva, causada pela solidão que, há tempos, vem sentindo. A necessidade da presença dele em sua vida é, hoje, apenas uma forma de suprir tal solidão. Sim, a paixão acabou. O tesão diminuiu. O que existe é apenas a necessidade de um alguém que lhe dê carinho, que a faça companhia e a entenda. E isso ela nunca teve dele.

Mas, enquanto seu príncipe encantado não aparece, em um passe de mágica, como nos contos de fadas, ela continua alimentando essa história incerta, sem futuro e sem graça.

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